Nenhuma história tem um único autor
Adotar essa visão sistêmica não significa absolver ou desculpar atos prejudiciais. Significa, antes, amadurecer a nossa percepção para além da dualidade infantil do 'bom' e do 'mau'. É reconhecer que somos todos parte de uma ecologia de relações, onde um movimento reverbera e provoca reações em cadeia. O 'culpado' que elegemos é, muitas vezes, apenas o portador do sintoma mais visível de um desequilíbrio que é compartilhado, ainda que em diferentes graus.
O crescimento, neste âmbito, é um exercício de ampliar o foco. Ao invés de buscar o autor singular do nosso descontentamento, somos convidados a observar a dança das interdependências. Passamos da pergunta 'Quem fez isso comigo?' para 'O que está acontecendo entre nós?'. Essa mudança de perspectiva dissolve a ilusão do controle unilateral e nos abre para a possibilidade de uma cura que não se baseia na punição, mas na compreensão da teia que nos conecta.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa