Habitar a Própria Incerteza
Não se escolhe com a certeza da chegada, mas com a intuição de que é preciso partir. A decisão é apenas o primeiro passo num território desconhecido, um movimento feito no escuro, sem garantias de que o novo caminho será mais fácil ou isento de dor; ele é apenas diferente. É o abandono de um lugar que, ainda que familiar, já não servia.
Sustentar essa escolha é o trabalho silencioso que se segue: habitar as consequências, mesmo as desconfortáveis, e arcar com o peso da renúncia que toda decisão carrega. A maturidade não reside no acerto da escolha, mas na coragem de não delegar a responsabilidade pelo percurso que ela abre. É responder pelo chão que se pisa, ainda que ele tenha sido escolhido sem que se pudesse ver o horizonte.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 13 — O Peso das Próprias Escolhas