De juiz a testemunha do tempo interior

Habitualmente, o olhar que dirigimos a nós mesmos é o de um avaliador, um fiscal da própria performance que busca incessantemente por marcos externos de progresso. Essa postura nos transforma em juízes impacientes do nosso caminho, medindo o valor do processo pela velocidade dos resultados visíveis e gerando uma fricção interna que sabota a própria evolução interior que se anseia.

A arquitetura da evolução interior, no entanto, não se baseia em acelerar a construção, mas em alterar a natureza desse olhar. Passamos, gradualmente, do papel de juiz para o de testemunha. Uma testemunha que reconhece a legitimidade do tempo, que aprende a ver a força que se acumula no gesto repetido, na escolha consciente, no silêncio que amadurece uma nova percepção. Deixamos de procurar apenas pela colheita para aprender a contemplar o campo onde, em seu próprio ritmo, a evolução interior acontece.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 14 — O Tempo Também Faz Parte da Construção