Da ressonância do eco à autoria da voz

A consciência é o silêncio que se instala entre o som e o eco. É a pausa atenta que permite perceber a vibração sem se tornar ela. Nesse intervalo, por mais breve que seja, reside uma liberdade imensa: a de notar que não somos o eco, mas o espaço onde ele acontece. É o momento em que se pode questionar, com serenidade: 'Preciso mesmo ressoar desta forma? Ou há outra melodia possível?'.

Encontrar a própria voz é o exercício de responder, em vez de apenas reagir. Uma resposta nasce dessa clareza presente. Ela considera o passado, mas não se deixa ditar por ele; reconhece o estímulo externo, mas não se deixa engolir por ele. É um ato de autoria. Passamos de uma câmara de ressonância passiva para o lugar de quem compõe a própria narrativa, momento a momento. É a transição do ruído da repetição para a clareza da voz que se assume.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo É Interno