Assumir o Custo da Própria Energia
Há uma contabilidade sutil que a imaturidade insiste em manter: o inventário das ofensas sofridas, o registro de quem nos esgotou, o mapeamento dos responsáveis por nosso cansaço. Apontar o dedo oferece um alívio momentâneo, pois transfere o fardo da dor para um endereço externo. É um mecanismo que, no longo prazo, nos mantém reféns, esperando que o outro reconheça, se desculpe ou mude para que, só então, possamos nos sentir em paz.
O amadurecimento, no entanto, é um movimento silencioso de abandono dessa contabilidade. Ele não nega a ferida, mas para de delegar sua cicatrização. A pergunta deixa de ser “quem fez isso comigo?” e torna-se “por que permiti que isso consumisse minha energia a este ponto?”. Assumir a gestão dos próprios recursos internos é um ato discreto e profundo. É a escolha de deixar de ser um cronista das próprias perdas para se tornar o guardião do que ainda resta de força vital.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 10 — Energia Não É Infinita