A transição do reagir para o construir

Sair desse estado não é um ato de vontade súbito, mas uma mudança sutil na alocação de atenção. É perceber que, enquanto a mente está ocupada explicando o ciclo, ela não está disponível para imaginar uma saída. Interromper a autojustificativa é o primeiro gesto de desinvestimento no padrão. É retirar a energia que alimentava o personagem sofredor e começar a depositá-la na conta de um novo eu, um que ainda não se conhece, mas que se intui ser possível.

Construir, ao contrário de reagir, é um ato deliberado. Começa com a escolha de não negociar mais com o erro familiar. Cada 'não' dito ao antigo padrão é um tijolo assentado na fundação de uma nova realidade interna. A vida, então, deixa de ser algo que 'acontece conosco' e passa a ser algo que acontece 'através de nós'. Não se trata de controlar o futuro, mas de assumir a responsabilidade pela qualidade da nossa presença no agora, o único lugar onde a verdadeira construção pode ocorrer.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição