A terceirização da própria força

Há um refúgio peculiar na queixa sobre a energia que nos é roubada. Apontar o dedo para o ladrão de nossa vitalidade — o chefe, a família, as circunstâncias — oferece um conforto sombrio, o de não ser o autor do próprio esgotamento. Essa narrativa, porém, consome uma imensa quantidade de força para ser sustentada.

Manter-se no lugar de quem apenas sofre a ação é uma forma velada de não assumir as rédeas. Se a culpa do meu cansaço é externa, a mim só resta esperar que o mundo mude. Essa espera passiva é a antítese da escolha. A maturidade adulta talvez não resida em encontrar um cenário ideal que não nos drene, mas em reconhecer e interromper a entrega voluntária da nossa energia ao papel de vítima. É um movimento silencioso de retomar a autoria, decidindo que a história do nosso cansaço não será mais escrita pelos outros.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 10 — Energia Não É Infinita