A Substância Dispersa da Consciência
Imaginemos a consciência não como um ponto fixo, mas como uma substância que pode ser dividida e espalhada. Uma parte se torna vigia permanente do passado; outra, arquiteta ansiosa do futuro. O que sobra para habitar o corpo e sentir o agora é um eu enfraquecido, com sua capacidade de evolução suspensa. A sensação não é de ausência, mas de uma presença incompleta, como se uma porção vital de nós estivesse sempre em outro lugar, estagnada numa tarefa que nunca termina.
O amadurecimento que a evolução interior propõe, neste campo, não é um esforço de concentração, mas um delicado ato de recolhimento. É o movimento silencioso de chamar de volta essas porções de si. Não para apagar as memórias ou abandonar os planos, mas para reintegrar a energia que foi cedida a eles. Ao fazer isso, o presente deixa de ser um intervalo estéril entre o que foi e o que será, e se torna novamente o único solo fértil onde a evolução interior pode, de fato, acontecer: o lugar onde nos sentimos inteiros, densos, finalmente em casa dentro da própria pele.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 19 — A Liberdade de Viver o Presente