A Resposta Que Dispensa a Justificativa
Habituamo-nos a narrar o cansaço apontando para fora: as demandas, os pedidos, as urgências alheias. Vivemos como se fôssemos o alvo passivo de um mundo que não para de exigir. Neste lugar, cada “sim” apressado é seguido por uma justificativa, uma queixa silenciosa sobre o peso que nos foi imposto.
O ponto de inflexão não é ruidoso. É uma clareza que se instala sem alarde, o instante em que a pessoa para de culpar o outro pelo pedido e começa a se reconhecer como aquela que aceitou. O fardo não desaparece, mas sua origem muda de endereço: sai do mundo externo e revela sua raiz interna. A maturidade adulta talvez seja exatamente isso: a transição de vítima das circunstâncias para autor das próprias respostas. É quando o “não” deixa de ser um ato de rebeldia ou um pedido de desculpas, e se torna a serena administração do próprio território, a assinatura consciente no rumo da própria vida.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 2 — O Direito de Dizer Não