A Responsabilidade do Gesto Incerto

O momento da escolha de um limite acontece no escuro. Há um desejo de calcular o resultado, de prever a reação, de assegurar que a paz não será rompida. Mas a responsabilidade não vive aí, na tentativa de controlar o que é do outro. Ela reside no ato de honrar uma percepção interna que se tornou inegociável, mesmo sem qualquer garantia de como o gesto será recebido. É uma escolha que se volta para dentro, não para fora.

Sustentar essa escolha é a segunda parte, talvez a mais silenciosa e madura. É arcar com o eco da própria decisão: o desconforto, a reacomodação das relações, a nova dinâmica que se instala. A autoria da própria vida se revela não na ausência de consequências, mas na disposição de permanecer de pé diante delas, sem se trair para aplacar o mundo externo. É a liberdade que nasce de responder pelo próprio passo, mesmo sem ver o caminho inteiro.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 3 — Limite Não É Agressão