A Quietude Onde a Verdade Respira

Não há plateia para o gesto que de fato define a evolução interior. É um movimento íntimo, que acontece no espaço entre a percepção de um desconforto e a reação habitual de fuga. Trata-se da decisão de não preencher um silêncio incômodo com mais ruído, de não justificar um padrão pela enésima vez. É a pausa que antecede a resposta automática, o instante em que se permite que uma verdade desconfortável apenas exista, sem a necessidade imediata de consertá-la ou negá-la. Nesse espaço de quietude — o verdadeiro campo de trabalho da nossa evolução —, a verdade que era evitada perde a força que a negação lhe concedia. Ela deixa de ser um fantasma que dita escolhas e passa a ser um elemento da paisagem interior, algo que se pode observar. Este ato de encarar, desprovido de julgamento ou pressa, é o princípio da reorganização. É o passo fundamental para que a vida deixe de ser construída sobre o que se evita e passe a ser fundada no que, enfim, se reconhece.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 5 — A Verdade Que Você Evita Também Constrói Sua Vida