A Pele Que Deixamos de Habitar

É um autoabandono sutil. A voz interna que questiona o bem-estar se cala, e com ela, a base do Respeito próprio que permitiria ao outro respeitar-nos integralmente. As necessidades tornam-se um território estrangeiro, e a Comunicação deixa de ser uma ponte entre almas para se tornar um relatório de tarefas. Neste momento, um dos pilares fundamentais do relacionamento começa a ruir, de dentro para fora, minado não pelo outro, mas por nós mesmos.

Quando nos apresentamos ao outro já vestidos pela armadura da função, a vulnerabilidade, essencial para a Confiança, não encontra frestas. Como ser confiável se não habitamos a nossa própria verdade? A Admiração, que se nutre da singularidade, esvai-se quando resta apenas o desempenho de um papel. E a Individualidade, o pilar que garante que duas pessoas inteiras formam um par — e não duas metades que se anulam —, é a primeira a ser sacrificada. O que sobra é a arquitetura de uma relação oca, uma solidão compartilhada cujos pilares foram corroídos antes mesmo que a primeira crise os colocasse à prova.

Extraído de

Os Cinco Pilares do Relacionamento

Capítulo 6 — Antes do Papel, Existe a Pessoa