A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo

O estado que antecede uma evolução interior consciente é o da vigilância sobre si, um olhar que fiscaliza cada gesto em busca de aprovação externa. Esse olhar, que se torna um juiz interno, mede, compara e exige a manutenção de uma imagem. É uma observação que não busca o autoconhecimento, mas a adequação, criando uma fenda entre o que se é e o que se parece ser. A evolução interior altera a natureza desse olhar. Ele deixa de ser um fiscal e passa a ser uma testemunha silenciosa da própria complexidade. Não é um olhar que absolve ou ignora as imperfeições, mas que as acolhe como parte do processo, sem o alarme da performance. A paz não vem de se tornar perfeito, mas de finalmente poder habitar a própria pele sem a necessidade de um personagem para mediar o encontro, um silêncio que a maturidade dessa jornada interna permite alcançar.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 18 — A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo