A Paisagem Interior Depois das Cinzas

Depois das cinzas, quando o fogo da perda finalmente se apaga, instala-se uma quietude diferente. Não é o silêncio do vazio, mas a ausência de tudo aquilo que as chamas consumiram e que, antes, preenchia o tempo. É nesse chão limpo pelo fogo, onde as cinzas assentaram, que a topografia da alma se torna enfim visível.

Nesse terreno exposto, vemos não apenas o que se foi, mas o alicerce que restou. As fundações que suportaram o abalo e as estruturas que eram apenas fachada. Reconhecemos a dependência que confundíamos com cuidado, a força que não sabíamos possuir e a paz que existia por debaixo das camadas de apego. Não há descoberta ruidosa, apenas a constatação silenciosa do que somos quando despidos do que tínhamos.

Extraído de

Depois das Cinzas

Capítulo 5 — A Perda Não Mostra Apenas o Que Foi Embora