A Ordem Invertida da Liberdade

Confundimos liberdade com ausência de constrangimento. Esperamos pelo cenário ideal, pelo momento sem medo ou pelo consentimento alheio para enfim nos movermos. Nesta espera, adiamos a vida que nos chama, acreditando que a responsabilidade é o preço pesado a ser pago pela liberdade, quando ela é, na verdade, o único caminho até lá.

A libertação não antecede a ação; ela é a sua consequência direta. É no ato de bancar uma escolha, de assumir o desconforto de uma posição e de aceitar as suas repercussões, que o espaço interno se amplia. Responder pelo próprio passo, sem subterfúgios ou terceirização de culpas, é o que nos torna autores. Essa autoria, silenciosa e adulta, é a única liberdade que não pode ser revogada, pois nasce de dentro.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 15 — Coerência Interna