A liberdade de não precisar de resgate

Existe um momento em que a vida deixa de ser um roteiro escrito por outros — o destino, as circunstâncias, a família. É quando se percebe a própria caligrafia nas páginas, mesmo nas entrelinhas das pequenas permissões e omissões. Assumir essa autoria pode parecer, a princípio, um fardo. É o fim da espera por um resgate, a dissolução da esperança de que algo externo venha consertar o caminho. É um encontro solitário e maduro com as consequências.

Contudo, é nesse solo de responsabilidade que brota a única liberdade adulta possível. Não a liberdade de fazer o que se quer, mas a de responder pelo que se fez. Quando se deixa de terceirizar a culpa, recupera-se a potência de definir o passo seguinte. É uma liberdade silenciosa, que reside em arcar com a própria construção e, a partir dela, decidir para onde olhar, o que sustentar e o que, finalmente, deixar para trás, por escolha própria.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 13 — O Peso das Próprias Escolhas