A Gota que Interrompe a Evolução

A casa parece em ordem, os ruídos da vida cotidiana preenchem os espaços. Mas na cozinha, uma torneira goteja, e o esforço para não ouvir aquele som é maior do que o esforço para consertá-la. O som da gota não é um grito, é um sussurro que se instala nas pausas, no silêncio da madrugada, um lembrete constante do que foi deixado para depois. A vida se organiza em torno de não escutar.

Assim são os convites da nossa evolução interior. Não chegam como tempestades, mas como essa gota insistente: pontos de maturação que evitamos e que, por isso, ganham o poder de ditar o ritmo sutil do nosso incômodo. Gastamos uma energia imensa para preencher o dia, não por produtividade, mas para que não haja brechas onde esse chamado possa ecoar. No fim, a exaustão não vem do que fazemos, mas do que nos recusamos a ser. É o peso de manter uma porta interna fechada, sabendo que, do outro lado, a nossa própria evolução aguarda, pacientemente, que a gente pare de fugir do som da casa.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 16 — A Clareza Que Surge Quando Você para de Fugir