A Fronteira que Resguarda a Liberdade
A vida sem fronteiras internas é uma ilusão de generosidade que custa a própria autoria. Ao nos tornarmos permeáveis a todas as demandas, renunciamos silenciosamente à responsabilidade de cuidar do nosso próprio centro. A energia se esvai não por ser doada, mas por ser cedida sem critério, até que o eu se dilui nas urgências alheias, tornando-se um território ocupado, não um lar habitado.
A liberdade começa no gesto de retomar esse território. Não é um ato de afastamento do mundo, mas de reconhecimento do próprio lugar nele. Assumir a responsabilidade por quem entra e quem permanece em nosso espaço emocional é o que nos devolve a nós mesmos. É nesse cuidado, nessa gestão silenciosa, que encontramos a liberdade de existir de forma inteira, não como um recurso para os outros, mas como uma presença que, por ser consciente, pode finalmente ser genuína.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 9 — Autoproteção Emocional