A Evolução de Pousar o Regador
Existe um zelo que sufoca, uma intenção que inunda. É o gesto de regar a planta todos os dias, acreditando que mais água significa mais vida, sem notar que o solo já está encharcado e a raiz, submersa. A mão que oferece o cuidado é a mesma que, sem perceber, retira o ar. Não há maldade no ato, apenas a falta de uma pausa para sentir a terra, para entender que o espaço para crescer também precisa de secura. É nesta pausa que a nossa própria evolução interior começa a respirar.
Carregamos os regadores mais pesados por afeto, por hábito, ou por uma responsabilidade que desenhamos para nos sentirmos essenciais. A tentativa de poupar o outro do seu deserto não apenas o afoga, como interrompe um ciclo que não nos pertence: a sua própria e necessária jornada de evolução. O marco de uma genuína evolução interior, portanto, reside em pousar o regador. É o reconhecimento de que nosso crescimento não está em gerir o caminho alheio, mas em cuidar do nosso próprio solo, permitindo que o outro encontre força na própria secura e nós, a paz no nosso próprio limite.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 10 — Você Não Precisa Carregar Tudo