A Estrutura Sob as Cinzas

Cada um de nós é uma construção singular, um edifício erguido com os materiais da própria vida. Enquanto o fogo não vem, algumas estruturas parecem sólidas, mas se apoiam em pilares já marcados por fissuras antigas. Outras, mais simples na aparência, têm fundações profundas, resilientes. Quando as chamas se apagam e restam apenas as cinzas, o mesmo evento revela danos de proporções completamente distintas.

Uma perda não encontra um espaço vazio; ela é o próprio fogo que consome e testa a arquitetura interna. O que vem depois das cinzas é um inventário íntimo e silencioso. Onde para um a fuligem apenas cobriu as paredes, para outro, o calor comprometeu uma viga mestra, ameaçando tudo o que ainda se sustenta. O silêncio, então, não é ausência de dor, mas o estado de quem caminha por entre os próprios escombros, avaliando o que restou da estrutura antes de ousar o primeiro passo para a reconstrução.

Extraído de

Depois das Cinzas

Capítulo 7 — A Dor Não É Igual para Todos