A Escolha Silenciosa do que Floresce

A mente possui uma inércia que a leva a solos conhecidos. Frequentamos certas paisagens internas por hábito, um movimento quase automático que precede a consciência da nossa própria evolução. É nesse terreno familiar, muitas vezes árido, que lançamos sementes sem notar. A pequena preocupação que retorna, o diálogo mental que se repete, a memória que insistimos em visitar — cada um desses gestos é uma gota que alimenta um tipo específico de crescimento, definindo a base da nossa ecologia interna.

Com o tempo, o que é alimentado não apenas ganha força; torna-se o próprio terreno. O que era um broto de ressentimento pode se tornar o solo onde todas as outras experiências são plantadas. É aqui que o conceito de evolução interior se torna tangível. Reconhecer esse mecanismo não é uma convocação para a batalha contra o que é indesejado, mas o despertar para a nossa capacidade de cultivar. Perceber, sem alarde, para qual solo a nossa energia escorre é o ato que inaugura uma participação consciente na nossa própria transformação. Deixamos de ser meros habitantes de uma paisagem acidental para nos tornarmos, gradualmente, os jardineiros do nosso mundo interior.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 8 — O Que Você Alimenta Cresce