A Dança entre o Jardim e o Clima

Seria uma ingenuidade ou uma arrogância negar o peso do mundo sobre nós. O ambiente social, as condições materiais, os encontros e desencontros que nos são impostos formam o clima no qual nossa vida se desenrola. Há tempestades que devastam e calmarias que entediam. Ignorar essas forças externas é tentar cultivar uma planta dentro de um vácuo.

Contudo, a maturidade reside em compreender que, embora não controlemos o clima, somos os zeladores de nosso jardim interior. A qualidade do solo, a escolha das sementes, a diligência da rega e a remoção das ervas daninhas são tarefas intransferíveis. Podemos receber uma chuva torrencial e ter um terreno bem drenado que a transforma em nutrição, ou podemos receber a mesma chuva em um solo compactado e vê-la se tornar uma enxurrada que tudo destrói.

O movimento de recomeçar por dentro acontece nessa interface, nesse diálogo constante entre as condições que nos são dadas e a qualidade de nossa presença para com elas. Não se trata de esperar por uma eterna primavera, mas de cultivar uma resiliência interna que saiba florescer na adversidade, que encontre sombra no calor excessivo e que entenda o tempo do pousio como parte essencial do ciclo. A verdadeira arte não é mudar o tempo, mas aprender a dançar na chuva que nos cabe.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

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