A Culpa Não Mora no Pedido
É comum habitar a queixa. Apontar a fonte do esgotamento para a demanda incessante, o tempo que nunca é suficiente, o outro que parece não perceber nosso limite. Viver sob o peso de 'sins' dados sem fôlego cria a narrativa cômoda de que somos vítimas de um mundo que nos consome, um enredo onde a responsabilidade pela nossa exaustão é sempre externa, alheia.
Mas existe um ponto de inflexão, um silêncio que se instala depois da reclamação. Nele, a pergunta muda de direção: e se o problema não estiver naquele que pede, mas na nossa dificuldade de demarcar um território interno? É nesse instante que a culpa se desfaz e a autoria começa. O 'não' deixa de ser uma recusa ao outro e se torna o primeiro ato de respeito por si, um reconhecimento sóbrio de que a gestão da nossa própria energia nos pertence.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 2 — O Direito de Dizer Não