A Arquitetura Silenciosa do que Evitamos
Essa construção não é uma cela, mas um cômodo familiar. Seus limites se confundem com a nossa personalidade e suas restrições parecem apenas o modo como as coisas são. Os padrões que se repetem não são vistos como sintomas de uma verdade evitada, mas como traços imutáveis do nosso ser. A geometria da nossa vida se ajusta àquilo que não queremos ver, e aprendemos a caminhar em círculos, acreditando que o caminho é assim.
O ponto de partida da evolução interior não é a demolição, mas a percepção sutil de que o espaço tem contornos. É a estranha sensação de que um mesmo obstáculo reaparece em caminhos diferentes, a intuição de que uma corrente de ar frio sopra sempre do mesmo canto. É nesse momento que a pergunta muda: não mais sobre como nos mover melhor dentro do quarto, mas sobre do que ele é feito. A consciência não quebra as paredes; apenas permite vê-las pela primeira vez, distinguindo o que é estrutura e o que é escolha.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 5 — A Verdade Que Você Evita Também Constrói Sua Vida