A arquitetura invisível que se repete

Mudamos os móveis de lugar, pintamos as paredes de outra cor, trocamos de casa. Celebramos a novidade do espaço físico, acreditando que uma nova estrutura externa irá, inevitavelmente, gerar uma nova dinâmica interna. Contudo, em pouco tempo, a mesma desordem familiar se instala, as mesmas discussões ecoam nos novos corredores, a mesma sensação de aprisionamento retorna.

O que não vemos é a arquitetura invisível que carregamos conosco: a planta baixa de nossos medos, as fundações de nossas crenças limitantes, a estrutura de nossas reações habituais. É essa construção interna que projeta a realidade que vivemos, independentemente das coordenadas geográficas. Podemos mudar de endereço, mas, sem uma reforma interior, continuaremos a habitar o mesmo padrão.

O momento de consciência surge quando paramos de culpar a casa e começamos a olhar para o arquiteto. Reconhecer essa planta baixa recorrente não é um sinal de fracasso, mas o primeiro ato de poder. É o ponto em que deixamos de ser meros inquilinos de nossas circunstâncias e nos tornamos engenheiros da nossa própria liberdade, prontos para redesenhar o espaço a partir de dentro.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

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