A Arquitetura da Estagnação

Sair dela não é um ato de esquecimento, mas de demolição consciente. É preciso coragem para admitir que fomos nós mesmos os arquitetos dessa prisão e que, portanto, possuímos a planta para desmontá-la. O recomeço assusta porque nos lança em um terreno aberto, sem as referências dolorosas, mas seguras, da nossa antiga morada. Lá fora, no espaço vazio da possibilidade, somos obrigados a desenhar um novo projeto, a erguer uma nova estrutura com base naquilo que aprendemos.

A passagem da culpa para a responsabilidade é uma mudança de endereço existencial. Deixamos de habitar o passado para nos tornarmos presentes no canteiro de obras do agora. O passado não é apagado; seus escombros se tornam o alicerce da nova construção. A referência do erro anterior serve para garantir que as novas fundações sejam mais fortes, que as paredes permitam a entrada de luz e que as portas se abram para o porvir, em vez de se trancarem para proteger de um perigo que já não existe.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa