A Arquitetura da Consciência e os Entulhos do Passado
A responsabilidade de ser o arquiteto da própria consciência é imensa. Sem uma revisão periódica dos projetos, corremos o risco de passar a vida inteira construindo estruturas baseadas em plantas antigas, desenhadas no auge de uma tempestade. A casa que hoje nos parece pequena e escura talvez tenha sido, no passado, o único abrigo possível. Reconhecer isso é um ato de compaixão. No entanto, permanecer nela quando o céu já se abriu é uma escolha que limita a visão.
Recomeçar é, portanto, um ato de curadoria arquitetônica. É caminhar pelos cômodos da memória, não para demolir o que foi construído, mas para perguntar: estas paredes ainda me servem? Esta janela, que um dia foi proteção, hoje não me impede de ver a paisagem? A maturidade está em entender que podemos abrir novas portas e janelas sem desonrar a necessidade do abrigo que um dia nos salvou.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 5 — Dor Não É Identidade